As (Des) ilusões da Vida
Habitualmente as férias são, para mim,
um tempo de reflexão. Momentos de pura descontração, onde o relógio não existe
e o tempo pára algures entre os últimos raios de sol, as brincadeiras das
crianças e a alegria das esplanadas com vista para o mar…
É nestes momentos que, frequentemente,
dou por mim a pensar no passado e no presente. Se quando somos muito jovens,
mas suficientemente maduros para iniciarmos os primeiros projetos de vida, a
“idade de ouro”, assumimos que temos a vida toda pela frente e as certezas
todas do mundo, na idade mais madura questionámo-nos.
A maioria das pessoas de “ meia-idade”
(40-50), já fizeram opções importantes de vida, encetaram e terminaram
relações, tiveram ou adotaram filhos, traçaram um percurso profissional,
montaram casa própria…
Como foi a nossa vida até aqui? Somos
felizes? Concretizamos o que queríamos? Vivemos intensamente?
Certamente que o nosso bem-estar,
apelidado de “felicidade”, se traduz numa conjugação de vários fatores e não
apenas num. Profissionalmente, estamos mais ou menos realizados, consoante as
compensações económicas, o reconhecimento público do nosso trabalho e a
satisfação que tiramos daquilo que fazemos. Por vezes, o que fazemos hoje está
muito distante do que pensávamos ser quando eramos mais jovens. Contudo, em
alguns casos, o primeiro projeto concretiza-se, o que não significa que seja o
melhor…
A compensação económica, a
concretização de sonhos materiais, o conseguir manter o nível económico e
social de família, ter a casa, o carro, as férias que se deseja…
A felicidade incomparável de se ser
mãe/pai. A gravidez e o sentimento inigualável de nos sentirmos especiais,
únicas. O pulsar de uma vida e as expectativas que depositamos naquele
pequenino ser. O sentimento de constituir uma nova família, dando continuidade
à nossa…
E as relações que tivemos, como foram?
Estivemos apaixonados? Experimentamos aquele sentimento indescritível? Passamos
noites acordados porque não podíamos perder um minuto da sua companhia? Vibramos
com a sua presença, o seu cheiro, o seu olhar?
A paixão e o amor são dois sentimentos
que, à primeira vista, parecem ser muito parecidos: No entanto, as diferenças
são enormes. No estado de paixão, o cérebro não interfere, o coração ganha
terreno e as nossas ações são ditadas por esse poderoso sentimento de atração
espiritual e carnal em que a outra pessoa nos parece perfeita, única. Contudo,
a paixão não dura para sempre. Ou acaba ou dá lugar ao amor.
O amor, aquele sentimento mais calmo e
duradouro, mais racional que nos permite ver para lá dos sentimentos.
Progressivamente, a razão vai interferindo juntamente com o coração.
E a desilusão, a deceção? Certamente
que também já a sentimos em alguns momentos da vida. E o principal problema é
que, tal como já tenho lido, a deceção dói porque só é capaz de nos dececionar
quem nós amamos …
E assim é a vida, feita de ilusões e
desilusões… Quem nunca as sentiu, certamente que não vive, sobrevive…
LAC
Luisa... revelas, sempre e cada vez, mais facetas maravilhosas de ti. e tu escreves com uma pureza, com uma assertividade, com uma poesia que são encantadoras. Vou colocar-te na minha lista de blogs a seguir, porque tens mesmo de ser lida.
ResponderEliminarUm beijo enorme de quem se "rebuliçou" por dentro com este teu texto.
bjssssss
Mary by bandagastricamente@blogspot.com
Obrigada, Maria, pelas tuas palavras. Beijos
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